quinta-feira, 15 de março de 2012

Ideologia




Para fazer parte de um movimento,
aprendi que é necessário limitar-se.
Ter uma bandeira e um slogan,
defender apenas uma verdade.
Agir menos e filosofar mais.
Fazer cara e jeito de intelectual.
Acreditar que somos do bem,
enquanto os outros são do mal.
Aprendi que posso questionar tudo,
menos a teoria deste grupo
e muito menos seus líderes.
Fazer parte de um movimento
tem sua dualidade:
os que são do baixo clero
e os do alto clero.
Quanto menor, maior convicção;
menor conhecimento, maior ingenuidade.
Quanto maior, menor comprometimento;
maior interesse, menor prática.
Aprendi que teoria e utopia
pode não encher a barriga,
mas inflama o ego.
E quanto mais cego,
mais fiel serei.
Só uma coisa no movimento
que eu não aprendi e não entendi,
e se entendi não sou louco de assumir:
Por que será que só os ingênuos
carregam o fardo da ideologia,
enquanto os idealizadores
banqueteiam-se com mordomia?

2 comentários:

  1. Gostei do escrito Gilberto. Altamente questionador. Sou teu fã, mesmo hoje morando tão longe, mas o trago sempre por perto, nas minhas orações e no meu coração.
    Com estima de irmão!
    Pe.Flávio

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  2. Simplismente brilhante

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